O peso dos juros no bolso do consumidor 



Denise Campos de Toledo

Na concorrência por novos clientes, alguns bancos estão oferecendo empréstimos com juros mais baixos, mediante a abertura de conta-corrente. É uma forma de a pessoa trocar uma dívida mais cara por uma mais barata. É a implementação, ainda que parcial, da portabilidade do crédito. Parcial porque a transferência da dívida não é direta e pode haver cobrança de taxas que, muitas vezes, inviabilizam a mudança.
Tem a taxa de abertura de crédito e muitos bancos cobram uma taxa para a quitação antecipada da dívida, que chega a ser superior ao valor do empréstimo. A instituição não que perder os juros que receberia com o pagamento da dívida até o final. Esse procedimento tem sido questionado, mas está previsto em contratos, e as taxas continuam sendo cobradas.
Vale lembrar que o governo, no ao passado, ao lançar uma série de medidas para estimular a redução dos juros na ponta final, colocou a portabilidade entre as opções. Mas até agora, não houve alterações maiores dos procedimentos. E, em outros segmentos, o cliente também continua muito amarrado.
É o caso da conta-salário. Ao respeitar os prazos dos contratos em andamento, entre empresas e bancos, ficou adiada a possibilidade de o trabalhador poder receber o salário no banco que escolher. É necessário aguardar o término dos contratos, sendo que é difícil para o trabalhador saber qual é esse prazo e se novos contratos não são firmados. Outras medidas também continua em gestação, como o cadastro positivo.
Enquanto isso, os juros na ponta final continuam caindo lentamente, ainda com muita gordura em relação aos juros básicos. Sendo que a perspectiva, daqui para frente, é de uma redução mais lenta da taxa básica, diante de uma certa incerteza quanto à evolução da inflação, inclusive pela crise internacional.
Provavelmente, os juros para os tomadores de empréstimo e no crediário terão queda mais lenta ainda. Sendo que muita coisa poderia ser feita pra viabilizar reduções maiores, independentemente da política de juros implementada pelo Banco Central.
É certo que a queda acumulada desde 2005, quando começou o corte contínuo dos juros básicos, já deixou os juros bem mais razoáveis. Tanto que o crédito tem sido uma das principais alavancas da expansão do consumo e da própria atividade econômica. Mas isso não quer dizer que sejam taxas baixas. O custo do dinheiro no Brasil ainda é muito alto. E pelo ritmo das mudanças não deve sofre alteração maior tão cedo. 

(Fonte: Redação Terra)