
Cheque especial é uma emboscada sem saída
Por Marcos Antonyo Lima
No mercado em geral, há uma tendência natural por parte das empresas, onde todas elas, independentes do setor que atuam, procuram evoluir no máximo, no sentido de oferecer ao consumidor produtos cada vez melhores e mais baratos, e isso se dá devido o aumento da concorrência, que de certa forma, fez cair o faturamento dessas como um todo nos últimos anos, com exceção apenas para bancos e outras instituições financeiras.
Os bancos por sua vez, como empresas prestadoras de serviços, ao longo desses anos não se preocuparam muito em evoluir no sentido de melhorar o atendimento em geral ao consumidor, pois as mesmas insatisfações existentes a trinta anos atrás, por parte de seus clientes, ainda perduram, e são as mesmas até hoje, e nesse período as únicas coisas que mudaram foram a aparência e apresentação das agências bancárias, com suas instalações cada vez mais suntuosas, mas, com acentuada redução de funcionários, e dominadas pelos computadores e terminais que mais parecem fliperamas, além de sistemas de segurança eficientes, mas apenas para constranger os cidadãos, e ainda, a escalada sem controle da criação de tarifas ao livre arbítrio.
E tudo isso, desavergonhada e demagogicamente é apresentado como progresso em benefício aos clientes, que desta forma têm o seu poder de percepção diminuído e subestimado pelos bancos.
Já é do conhecimento de todos, que os bancos em plena crise financeira, são as únicas empresas no Brasil, que em seus balanços anuais divulgam lucros líquidos fabulosos, na casa dos “bilhões”, mas vivem reclamando quando alguma medida é tomada pelo governo para beneficiar o povo, e sabe-se lá, se o verdadeiro lucro desses seria apenas o que divulgam.
Um bom exemplo dos lucros faraônicos dos bancos está no cheque especial, pois é nesta atividade onde os mesmos detêm domínio total, e poder sobre seus clientes tomadores de dinheiro dentro desta modalidade de empréstimo, pois seria nela que os mesmos cobram as taxas de juros absurdamente acima das referências do mercado, e isso se dá devido a vulnerabilidade e submissão imposta por esse esquema aos seus usuários, uma vez que, é dificultada a troca deste serviço e do banco, já que o limite somente é concedido após algum tempo de uso da conta, com característica de premiação pelo saldo médio da mesma, e por esta razão se torna irrealizável para o consumidor tomar qualquer atitude, como mudar de banco, por exemplo, para dessa ditadura se defender.
Por este motivo os bancos cobram os juros que bem entendem, fazem a festa com a conta corrente de seus clientes, fato esse que, fatal e inegavelmente os levará a uma inadimplência, que nestes casos, devido às medidas sem transparência adotadas pelo banco, poderá conduzi-los a uma mais que certa falência múltipla do poder financeiro do consumidor bancário.
Marcos Antonyo Lima é colunista do site Endividado.com.
(Fonte: Site www.endividado.com.br)